Idade Antiga
A arte na Idade Antiga é bem diversificada, mostra-nos diversos fundamentos ideológicos, pois é composta pelas riquezas das artes egípcia, grega, romana, paleocristã, bizantina e islâmica. Foi na Antiguidade que surgiram os primeiros conceitos teóricos a respeito da sistematização e estudo das artes. Para alguns os a arte esteve bastante associada às necessidades religiosas (egípcios e babilônios), buscava-se de trazer para o mundo mortal os valores do mundo divino. E para outros (os gregos e romanos) caminharam para uma arte com novos significados: uma forma de humanismo, em que o homem era o centro de todas as coisas, e não Deus (teocentrismo). A arte bizantina foi também conduzida pela religião. A Arte islâmica absorveu traços dos povos conquistados, como eram nômades, os muçulmanos demoraram a estabelecer sua própria identidade artística. Ao definir seu estilo conceitual e religioso, nos deixaram as belas cúpulas nas mesquitas e lindos tapetes persas. Seguindo uma linha cronológica, veremos agora como se manifestou as produções artísticas nas Civilizações Antigas.
ARTE EGÍPICIA
A arte na Idade Antiga é bem diversificada, mostra-nos diversos fundamentos ideológicos, pois é composta pelas riquezas das artes egípcia, grega, romana, paleocristã, bizantina e islâmica. Foi na Antiguidade que surgiram os primeiros conceitos teóricos a respeito da sistematização e estudo das artes. Para alguns os a arte esteve bastante associada às necessidades religiosas (egípcios e babilônios), buscava-se de trazer para o mundo mortal os valores do mundo divino. E para outros (os gregos e romanos) caminharam para uma arte com novos significados: uma forma de humanismo, em que o homem era o centro de todas as coisas, e não Deus (teocentrismo). A arte bizantina foi também conduzida pela religião. A Arte islâmica absorveu traços dos povos conquistados, como eram nômades, os muçulmanos demoraram a estabelecer sua própria identidade artística. Ao definir seu estilo conceitual e religioso, nos deixaram as belas cúpulas nas mesquitas e lindos tapetes persas. Seguindo uma linha cronológica, veremos agora como se manifestou as produções artísticas nas Civilizações Antigas.
ARTE EGÍPICIA
A arte egípcia refere-se à arte desenvolvida pela civilização do antigo Egito localizada no vale do rio Nilo no Norte de África. Foi uma das principais civilizações da Antigüidade, já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais. A arte do antigo Egipto tem objetivos políticos e religiosos. O faraó, soberano absoluto, é o representante de deus na Terra e é este seu aspecto divino que vai guiar profundamente a manifestação artística, pois ela representa, exalta e homenageia constantemente o faraó e as diversas divindades da mitologia egípcia, sendo aplicada em objetos ou espaços relacionados com o culto dos mortos, isto porque a transição da vida à morte é vista, como um momento de passagem da vida à vida eterna e suprema. Os túmulos são, por isto, os marcos mais representativos da arte egípcia, lá são depositados as múmias e todos os bens (riquezas) que lhe serão necessários à existência após a morte.
Arquitetura
As construções mais importantes para os egípcios eram aquelas destinadas a uso religioso. Por isso, os edifícios civis recebiam menos atenção, eram empregados os materiais menos duráveis. As grandes manifestações da arquitetura egípcia foram os magníficos templos religiosos, as pirâmides (túmulo real, destinado ao faraó), os hipogeus (túmulo para a nobreza) e as mastabas (túmulo destinado à gente do povo).
As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e, foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e seus pertences.
Escultura
Eram numerosas as estátuas esculpidas com a finalidade de ficar dentro dos túmulos. A escultura egípcia atingiu seu desenvolvimento máximo com os sarcófagos, esculpidos em pedra ou madeira. Os artistas procuravam reproduzir com fidelidade as feições dos mortos, a fim de facilitar o trabalho da alma na busca do seu corpo. representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de frente sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de imortalidade. De maneira geral, nas esculturas de sarcófagos predominavam a “frontalidade” (o corpo apresentado de frente), a “verticalidade” (o tronco e o pescoço na posição vertical), e a “simetria”, raramente as figuras fugiam à postura “Hierática”; quando expressavam algum movimento, apresentavam a perna esquerda em posição de avanço. Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam colunas e paredes, dando um encanto todo especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo. Os materiais utilizados na escultura deste período foram diorite, granito, xisto, basalto, calcário e alabastro.
Pintura
Os trabalhos nesse campo tinham uma função decorativa e retratavam sobretudo, cenas da vida diária. A pintura complementava a escultura ou decorava as grandes superfícies dos edifícios. Nas figuras, havia a Lei da Frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de perfil, o faraó é sempre muito mais alto que o sacerdote ou militar, o cortesão, o servo, o inimigo derrotado. Mas é menor do que o deus que personificava na terra, segundo os egípcios. A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas, as estátuas, o interior do templos e dos túmulos eram profusamente coloridos. As cores não cumpriam apenas a sua função primária decorativa, mas encontravam-se carregadas de simbolismo, que se descreve de seguida:
Preto: era obtido a partir do carvão, associado à noite e à morte, mas também a fertilidade e a regeneração.
Branco: obtido da cal ou do gesso, era a cor da pureza e da verdade. Como tal era utilizado artísticamente nas vestes dos sacerdotes e nos objectos rituais.
Vermelho: obtido a partir de ocres. O seu significado representava a energia, o poder e a sexualidade, por outro lado estava associado ao mal.
Amarelo: para criarem o amarelo, recorriam ao óxido de ferro hidratado. Como o sol e o ouro eram amarelos, os egípcios associaram esta cor à eternidade. As estátuas dos deuses eram feitas a ouro, assim como os objectos funerários do faraó, como as máscaras.
Verde: era produzido a partir da malaquite do Sinai. Simboliza a regeneração e a vida.
Azul: obtido a partir da azurite (carbonato de cobre) ou recorrendo-se ao óxido de cobalto. Estava associado ao rio Nilo e ao céu.
Escrita
A arte egípcia é profundamente simbólica. Todas as representações estão repletas de significados que ajudam a caracterizar figuras, a estabelecer níveis hierárquicos e a descrever situações. Do mesmo modo a simbologia serve à estruturação, à simplificação e clarificação da mensagem transmitida criando um forte sentido de ordem e racionalidade extremamente importantes. Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós. Desenvolveram três formas de escrita:
· Hieróglifos - considerada a escrita sagrada
· Hierática - uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes
· Demótica – a escrita popular
O artista
Os criadores do legado egípcio chegam aos nossos dias anônimos, em poucos casos se conhece o nome do artista. Por regra, o artista egípcio não tem um sentido de individualidade da sua obra, ele efectua um trabalho mediante uma encomenda e requisições específicas e raramente assina o trabalho final. Também as limitações de criatividade impostas pelas normas estéticas, e as exigências funcionais de determinado empreendimento, reduzem o seu campo de actuação individual. Mas o artista é também visto como um indivíduo com uma tarefa divina importante. Mesmo que se trate de um executor ele necessita de contato com o mundo divino para poder receber a sua força criadora.
Artes decorativas e outras artes
As artes decorativas do Império Médio conhecem uma das épocas mais importantes, sobretudo no que diz respeito aos trabalho de joalharia. Os amuletos, os pentes, os espelhos, as caixas e as candeiais caracterizam-se pela sua beleza.
Curiosidades
Livro dos Mortos: um rolo de papiro com rituais funerários que era posto no sarcófago do faraó morto.
Mumificação: a) Eram retirados o cérebro, através das narinas, com a ajuda de um gancho b) Os intestinos e outros órgãos vitais eram retirados por uma incisão lateral c) O corpo era mergulhado num tanque com um tipo de sal d) Após 40 dias o corpo era revestido de linho, ensopado de resina e aromas e) Era enfaixado e coberto com mais resina, todo o processo durava aproximadamente 70 dias.
Quéops: é a maior das três pirâmides, tinha originalmente 146 metros de altura, um prédio de 48 andares. Nove metros já se foram, graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. Para erguê-la, foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil homens, durante vinte anos.
ARTE GREGA
Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega liga-se à inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. Contemplando a natureza, o artista se empolga pela vida e tenta, através da arte, exprimir suas manifestações. Na sua constante busca da perfeição, o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. Eles têm como características: o racionalismo; amor pela beleza; interesse pelo homem, essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”; e a democracia.
Arquitetura
As edificações que despertaram maior interesse são os templos. A característica mais evidente dos templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos, eram construídos com linhas retas retangulares, sem arcos nem abóbodas. O projeto era simples: uma construção de forma padronizada retangular sobre uma base ou envasamento de geralmente três degraus, com colunas construídas segundo os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia, o núcleo do templo era uma zona fechada, formada por uma ou mais salas, onde era colocada a estátua do deus.
· Ordem Dórica - era simples e maciça. O fuste da coluna era monolítico e grosso. O capitel era uma almofada de pedra. A ordem dórica traduz a forma do homem.
· Ordem Jônica - A coluna era mais esbelta, o capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. A ordem jônica traduz a forma da mulher.
· Ordem Coríntia - era ainda mais esbelta e ornamentada, sendo famosa pelo seu alto capitel em forma de sino invertido, decorado com folhas de acanto.
Outra das mais importantes invenções da arquitetura grega foi o teatro, famoso por sua acústica perfeita, geralmente construído na encosta duma colina, aproveitando as características favoráveis do terreno para ajustar as bancadas semicirculares. No centro do teatro ficava a orquestra, e ao fundo a cena, que funcionava como cenário fixo.
Música
Um estilo de música típicamente grego, a récita de poesia acompanhada de um ou poucos instrumentos se tornou o gênero mais cultivado. Era comum instrumentos de sopro mas com o tempo desenvolveu-se um rico instrumental, que incluída diversos tipos de instrumentos de percussão, sopro e cordas. A música era uma arte fortemente associada ao universo divino, era considerada um poder efetivo, e estava presente em diversos dos mitos fundadores.
Escultura
A estatuária grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. Na escultura, o antropomorfismo - esculturas de formas humanas - foi insuperável. As estátuas adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, o movimento. Os escultores estudavam as formas do corpo, elaborando gradualmente suas proporções.
As primeiras estátuas de pedra, quase do tamanho humano, tem início deste "período arcaico", nessa época as esculturas deveriam ter figuras masculinas nuas, eretas, simétricas, em rigorosa posição frontal e com peso do corpo igualmente distribuido entre as duas pernas.
O mármore mostrou-se um material inadequado: era pesado demais e se quebrava sob seu próprio peso, quando determinadas partes no corpo não estavam apoiadas. A solução para esse problema foi trabalhar com um material mais resistente, o bronze, pois esse metal permitia ao artista criar figuras que expressassem melhor o movimento. No Período Clássico. Surge o nu feminino, pois no período arcaico, as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. Um exemplo clássico é o Discóbolo de Míron, uma estátua de um atleta atirando o disco, originalmente em bronze, mas sobreviveu apenas em cópias romanas em mármore. No Período Helenístico podemos observar como os escultores esforçaram-se para representar o intelecto e a emoção através das feições do rosto, o que levou ao desenvolvimento dos retratos. O caimento das roupas tornou-se dramático, com dobras onduladas complexas para obtenção de efeitos de luz e sombra, além de indicar as diferentes texturas. O corpo humano era suave e gracioso, mas faltava-lhe a força e a dignidade das obras anteriores. Outros temas, até então pouco explorados, também passaram a entrar no repertório figurativo, como a morte, o sofrimento e a velhice, com representações realistas muitas vezes dramáticas e pungentes.
Pintura
A pintura grega desapareceu em grande parte, não restando hoje mais do que reduzidos vestígios. Restou pouco dos grandes murais gregos, exceto algumas notáveis pinturas de tumbas, decoração de objetos utilitários, como vasos. Os vasos gregos são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à função para que eram destinados: As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. Uma aplicação importante da pintura era na decoração de monumentos e estatuária, se usava cobrir estátuas e elementos decorativos de templos.
Artes decorativas e aplicadas
O criatividade dos antigos gregos não se limitou somente à arquitetura, à escultura e à pintura, que como se viu conheceram um extraordinário florescimento, mas cultivaram uma variedade de outras técnicas cujos produtos não causam talvez tanto impacto imediato por suas dimensões reduzidas, mas que dentro de seu âmbito igualmente atingiram altos níveis de sofisticação. A cerâmica foi extensamente cultivada ao longo de toda a história grega, sendo utilizada como material para confecção de objetos votivos, decorativos e mesmo arquiteturais, além da sua rica produção de vasos decorados que já foi abordada. Os pequenos bronzes, algumas vezes decorados com aplicações de ouro e prata, também abundam em todas as fases, e embora muitos deles possam se enquadrar na classificação de escultura, outros como os vasos, as armas, os adornos, os espelhos e objetos domésticos também amiúde receberam um tratamento que vai além do imprescindível para cumprirem sua função utilitária e se elevaram ao nível de objetos de arte.
Legado da Arte Grega
A arte grega não acabou com a conquista romana e mesmo com a transição do período antigo para o medieval, ela se desenvolveu como arte helenística e, depois, como arte bizantina, constituindo a base da arte na Europa ocidental. Sua influência duradoura se deve à racionalidade e ao equilíbrio, à sua tendência em privilegiar a estética do humano e da beleza.
ARTE ROMANA
A arte romana foi muito influenciada pela cultura da grécia antiga e se expressava artísticamente desde a construção de diversas tipologias de edifícios públicos, pintura afresco à escultura, etc. tem uma variedade de temas, como cenas domésticas, retratos, animais e cenas da vida cotidiana. As influencias helenísticas são a evocação dos prazeres da vida no campo e representam cenas de carneiros, rebanhos, templos rústicos, paisagens montanhosas e casas no campo. A maior inovação da pintura romana, comparada com a grega, foi o desenvolvimento das paisagens, incorporando técnicas de perspectiva e profundidade. Outro gênero especifico muito explorado foi o chamado das pinturas triunfais, que descreviam entradas triunfais após vitórias militares, representando episódios das batalhas e das cidades e regiões conquistadas.
A arte da pintura mural, poder ser dividida em quatro estilos:
Incrustação
Esse primeiro estilo, também referido como incrustação, caracteriza-se pela simulação de mármore e o uso de cores vivas. Era uma cópia daqueles achados em palácios da dinastia greco-egipcia.
Arquitetural
No segundo estilo, as paredes eram decoradas com elementos arquitetônicos. Esta técnica consistia em realçar alguns elementos para passar a sensação de profundidade e tridimensionalidade, utilizando, por exemplo, da representação de colunas ou janelas, falsos elementos arquitetônicos para emoldurar a composição artística.
Ornamental
O terceiro estilo foi o resultado de uma reação. Deixava a cena mais figurativa e colorida, geralmente com um sentido mais ornamental, freqüentemente apresentando grande fineza na execução.
Cenográfico
Finalmente o quarto estilo, chamado cenográfico, incorporando ainda uma abundância de ornamentos. Uma característica típica deste estilo é o uso de figuras destacadas do contexto da cena e inseridas numa arquitetura parecida a um cenário.
ArquiteturaAs características gerais da arquitetura romana são: Busca do útil imediato, senso de realismo; Grandeza material, realçando a idéia de força; Energia e sentimento; Predomínio do caráter sobre a beleza; Originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.
PinturaO Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em geral.O mosaico romano, geralmente utilizado para o revestimento de pavimentos, é feito à base de pequenos cubos de mármore que se adaptam bem à reprodução cuidada de pinturas, mas de pouca intensidade cromática.
EsculturaOs romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade.Mais realista que idealista, a estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos. Com a invasão dos bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo Estado.
ARTE PALEOCRISTÃ
O termo arte paleocristã, ou paleocristianismo, não designa propriamente um estilo, referindo-se antes a todo o tipo de formas artisticas produzidas por ou para cristãos.
Catacumbas
Teve início um período de perseguição não só a Jesus, mas também a todos aqueles que aceitaram sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios. Esta perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária,, onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus cultos, se revelam as primeiras pinturas murais em catacumbas, locais que serviam de cemitério subterrâneo, único lugar de culto e refúgio cristãos, aos aderentes do cristianismo, para quem a fé se baseava na esperança da vida eterna após a morte., único lugar de culto e refúgio cristãos. É nesta constante aspiração ao Paraíso que o ritual funerário do enterro, e a consequente manutenção da sepultura, vai ser o elemento chave das primeiras representações da arte cristã. Nesses locais, a pintura é simbólica, como o cacho de uvas, a imagem do Bom-Pastor (que surge na figura de Cristo com o seu rebanho de ovelhas) e o pavão e o peixe, simbolizam a esperança na ressurreição e imortalidade. Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe. Por outro lado, a nova religião é maioritariamente representada pelas classes sociais mais desfavorecidas, sem os apoios financeiros da arte imperial, não é ainda reconhecida oficialmente e é perseguida pela figura do imperador.
Arquitetura
Até à declaração de liberdade de culto, a arte cristã não tinha uma tipologia arquitectónica própria, optando por celebrar o seu culto em lugares pouco relevantes. Os cristãos foram perseguidos por três séculos, até que em 313 d.C. o imperador Constantino legaliza o cristianismo, dando início à 2a fase da arte paleocristã : a fase basilical. Dá-se um impulso na produção artística e são edificados os primeiros lugares de culto próprio. Constantino apoia a construção de templos próprios, em Roma, Milão, Ravena, de modo a divulgar a nova religião e acolher o crescente número de convertidos.
A basílica
As novas igrejas, desenvolvidas a partir da basílica romana, vão revelar a base do que será a arquitectura religiosa da europa ocidental ao longo dos séculos. A basílica clássica, um espaço amplo onde se possibilita o agrupamento de um avultado número de pessoas, a nova necessidade arquitetônica do cristianismo este espaço vai-se revelar como o indicado à nova procura de grandiosidade da nova religião e ao acolhimento dos fiéis. A basílica paleocristã compõe-se, então, por uma nave central com clerestório de janelas altas, abertas em paredes assentes em arquivoltas ou em arquitraves, cujas colunas fazem a ligação a outras duas naves laterais (colaterais) de menor altura. Todo o espaço segue um eixo longitudinal e converge a oriente na ábside, onde se situa o altar, e que é emoldurada por um arco triunfal. O exterior, pouco ornamentado, um pátio rodeado de arcadas, que estabelece a sua ligação à igreja.
Mosaico
A necessidade de decorar vastas superfícies vai impulsionar a produção artística do mosaico, escolhido para o revestimento interno das basílicas, utilizando imagens do Antigo e do Novo Testamento, uma técnica com origens na arte antiga, difundida na Mesopotâmia e com profundas tradições no período greco-romano. Fica em segundo plano a pintura mural a fresco, foi a substituição do mármore por pedaços de vidro colorido.
Este novo material não permite, no entanto, uma paleta complexa de matizes e a modelação das figuras perde o seu contacto com o mundo real, as personagens apresentam-se como seres transcendentais, imateriais, habitantes de um reino de luz e ouro. Pode-se ainda observar-se pela forte geometrização e pelo ilusionismo espacial, ou o objetivo de sintetizar as formas para que estas sejam compreensíveis à distância, ou seja, para que a mensagem principal possa ser compreendida de longe.
Iluminura
Em oposição à arte pagã, o cristianismo baseia o seu conteúdo nos textos sagrados da bíblia, enfeitando os manuscritos com ilustrações, as iluminuras, de elevada importância no processo de manutenção e propagação das escrituras. Até então eram usados rolos de papiro que não permitiam grande liberdade artística no que diz respeito à ilustração. O permanente enrolar e desenrolar do papiro causava a deteriorização da tinta criando-se apenas cabeçalhos com formas simples e lineares. Com a introdução do pergaminho, na século II a.C., que se pode dobrar sem partir, surgem os primeiros livros com encadernações ricas em madeira e decoração em metal e pedras preciosas, onde a liberdade formal e cromática não encontra os limites anteriormente estabelecidos pelo suporte.
Escultura
A escultura assume um papel secundário pela proíbição à idolatria, evitando a representação da figura humana em tamanho natural, orientando-se, por isso, mais no sentido decorativo e de dimensões reduzidas. Podem-se referir, principalmente, trabalhos de relevo em sarcófagos, de carácter simbólico.
O Império Romano do Oriente, com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul) foi totalmente dominado pelos muçulmanos, marcando assim o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.
ARTE BIZANTINA
O termo arte bizantina refere-se à expressão artística de carácter religioso dos primórdios do cristianismo. Quando a capital do império romano muda-se para Constantinopla a oriente (anterior Bizâncio), levou à cisão do cristianismo em duas grandes vertentes (catolicismo a ocidente e ortodoxia a oriente) e consequentemente à evolução de um estilo artístico diferente no Império Bizantino, a arte bizantina, que sofreu influências de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na cor. A arte bizantina está dirigida pela religião; ao clero cabia, além das suas funções, organizar também as artes, tornando os artistas meros executores.O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais;
História
Por volta do século IV, com a invasão dos povos bárbaros ao longo do Império romano, o imperador Constantino I transfere a capital do império para Bizâncio, antiga cidade grega renomeada mais tarde para Constantinopla. Neste local reúnem-se toda uma série de fatores que impulsionam a ascensão da nova expressão artística. O movimento vive o seu apogeu durante o reinado do Imperador Justiniano I ao qual se sucede um período de crise denominado Iconoclastia e que consiste na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito político entre os imperadores e o clero. A arte bizantina não se extingue, no entanto, quando da queda do Império romano, permanece ainda nas regiões onde floresce a ortodoxia grega.
Pintura
A arte cristã primitivia evoluiu então para a arte bizantina. O mosaico foi a característica principal do período e suas características de criação influenciaram mais tarde a arte gótica. Os ícones também marcaram esta primeira etapa da arte bizantina. Nos séculos VIII e IX, o mundo bizantino foi dilacerado pela questão iconoclasta, uma controvérsia sobre o uso de pinturas ou entalhes na vida religiosa.
Mosaico
O mosaico é a expressão máxima da arte bizantina e, não se destinando somente a decorar as paredes e abóbadas, serve também de fonte de instrução e guia espiritual aos fiéis, mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários imperadores. Plasticamente, o mosaico bizantino não se assemelha aos mosaicos romanos; são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem também os afrescos. Neles, por exemplo, as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade; a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é utilizado em abundância, pela sua associação a um dos maiores bens materiais: o ouro.
Arquitetura
A expressão artística do período influenciou também a arquitectura das igrejas. Elas eram planeadas sobre uma base circular, octogonal ou quadrada rematada por diversas cúpulas, criando-se edifícios de grandes dimensões, espaçosos e profusamente decorados. A Catedral de Santa Sofia é um dos grandes triunfos da técnica bizantina, ela possui uma cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos. Esta técnica permite uma cúpula extremamente elevada a ponto de sugerir, por associação à abóbada celeste, sentimentos de universalidade e poder absoluto. Apresenta pinturas nas paredes, colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e chão de mármore polido.
Escultura
Este gosto pela decoração, aliado à aversão do cristianismo pela representação escultórica de imagens (por lembrar o paganismo romano), faz diminuir o gosto pela forma e consequentemente o destaque da escultura durante este período. Os poucos exemplos que se encontram são baixos-relevos inseridos na decoração dos monumentos.
UM POUCO MAIS DE SANTA SOFIA
"A verdadeira beleza de Santa Sofia, a maior igreja de Constantinopla, capital do Império Bizantino, encontra-se no seu vasto interior. Um olhar mais atento permite ao visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados; no mármore profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais, folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora.No alto, sobre um solo de mármore, bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos, resplandece a grande cúpula.
Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata, mosaicos e afrescos, há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz - um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior"
ARTE ISLÂMICA
A importância da tradição islâmica na história da arte é imensa, particularmente, na península ibérica, conseqüentemente, as áreas colonizadas por Espanha e Portugal, sofreram forte influência. Na arquitetura é incontestável a intervenção árabe, um legado que se propagou e influenciou os vários estilos arquitectónicos presentes nestes países. Quando se evoca a expressão "arte islâmica", frequentemente julga-se estar perante uma arte desprovida de representações figuradas, constituída unicamente por motivos geométricos e arabescos. No entanto, existem numerosas representações de figuras animais e humanas na arte islâmica, que surgem sobretudo em contextos não religiosos. As fontes principais da doutrina islâmica são o Alcorão (livro sagrado) e os ditos do Profeta Muhammad. Estas duas fontes nada mencionam sobre a representação de figuras na arte, o que condenam é a idolatria e o culto de imagens.
Quando o profeta Muhammad conquistou Meca em 630 um dos seus primeiros atos foi destruir os ídolos que se encontravam na Kaaba, uma tradição afirma que Muhammad ordenou a destruição de todas as pinturas religiosas que se achavam naquele edifício, com excepção de uma pintura da Virgem Maria com o menino Jesus, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A partir desta época considera-se que o acto de representar um animal ou um ser humano é o assumir por parte do artista do papel de criador que se acredita que deva estar reservado unicamente a Deus. As religiões desempenharam um importante papel no desenvolvimento da arte islâmica. Neste domínio enquadra-se evidentemente a religião muçulmana, mas igualmente outras religiões que os árabes encontraram aquando das conquistas territoriais. Apenas no século XIII o mundo islâmico tornou-se maioritariamente muçulmano, tendo outras religiões legado o seu contributo para a formação da arte islâmica: o cristianismo (na região que se estende do Egipto à Turquia), o zoroastrismo (mundo iraniano), o hinduísmo e o budismo (na Índia) e o animismo no Magrebe. Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no início, como exclusividade das classes altas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação.
Arquitetura
A arquitectura manifesta-se de diversas formas no mundo islâmico: mesquitas, madrasas (escolas religiosas), edifícios que funcionam como locais de retiro espiritual (como por exemplo, as arrábitas) e túmulos são alguns dos edifícios característicos dos países de tradição islâmica. Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração. Outras construções representativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos e mártires.
A tipologia dos edifícios apresenta variações de acordo com as regiões e os períodos históricos. No coração do mundo árabe, o que corresponde ao Egipto, Síria e Iraque, no período anterior ao século XIII, as mesquitas seguem todas a mesma planta, com um pátio e uma sala hispotila para as orações, mas variam bastante no que diz respeito à decoração e às formas. No Irão encontram-se especificidades próprias, como o emprego do tijolo e o uso de formas particulares como os iwans e o arco persa. Na Península Ibérica foi patente o gosto por uma arquitectura colorida, com o emprego de vários tipos de arcos (em ferradura, polilobados...). Na atual Turquia, a influência da civilização bizantina revela-se na construção de grandes mesquitas com grandes cúpulas, enquanto que na Índia desenvolvem-se plantas próprias, que se afastam cada vez mais do modelo iraniano e colocam em relevância as famosas cúpulas bolbosas. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização.
A arte do livro
A arte do livro é talvez a forma mais conhecida de expressão da arte islâmica. Ela agrega simultaneamente:
a pintura;
a encadernação;
a caligrafia;
a iluminura e a miniatura;
A arte do livro é geralmente dividida em três domínios: árabe (manuscritos sírios, egípcios, magrebinos), persas (manuscritos criados no Irão), e indiano (manuscritos mogóis). Cada um destes grupos possui o seu próprio estilo, divisível por várias escolas, com os seus próprios artistas e convenções.
TapetesOs tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmicas. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o muçulmano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra.
Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40 000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração.
PinturaAs obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era influenciado pela arte indiana, a bizantina e inclusive a chinesa. A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação científica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No início, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco. Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas.