segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sob uma perspectiva amorosa

Relação interpessoal, algo que, por natureza, já é essencialmente complicado. Acredito que a convivência com as pessoas pode render os mais belos frutos do ápice da felicidade e, ao mesmo tempo, dos desgostos e decepções mais profundas. São os extremos, os dois lados da mesma moeda...
Por outro lado, também creio que é possível o equilíbrio e a harmonia com base numa postura correta de cada indivíduo. Muitos conflitos e brigas nada mais são do que produtos de falhas e lacunas das próprias pessoas envolvidas. Distúrbios, carências e traumas fazem com que um ser queira buscar em outro a pessoa que este não pode ser, a cura que não pode dar-lhe. A exigência ao extremo, a própria conduta imatura e o desconhecimento de si mesmo e de suas reais necessidades são causas comuns da destruição de um relacionamento, seja entre cônjuges, pais e filhos, irmãos ou amigos.

É engraçado e raro contemplar a convivência consonante como a mais harmoniosa melodia de um encadeamento perfeito de acordes... É sabido, de praxe, que trabalhar para comer não é o que há de mais belo na vida. Suprir necessidades naturais (trabalho, moradia, saúde, etc) são obrigações natas, mas o amor, o mais verdadeiro e sincero sentimento, é o que move todos nós, o que confere sentido a toda existência. Vazia, pois, é uma vida contínua de prazeres efêmeros se não existir o amor de uma mãe, a preocupação e a bronca de um pai, a cumplicidade e o ombro de um amigo, o carinho de um parceiro... O homem é um animal social que, portanto, precisa viver em comunidade, precisa sentir-se necessário, amado, integrado. Ninguém é feliz sozinho. Como no trecho intertextualizado entre Bíblia e a música de Renato Russo: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria”. É só o amor!

Amantes da racionalidade podem tentar sistematizar demais e afastar-se das essências. Nietzsche disse uma vez que o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são. Pensamentos desse gênero, como chavões “o amor é cego” contribuem para criar abismos entre o amor e a racionalidade. Em contraste, lembro da letra do Charlie Brown Jr. “Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão. Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião”. É claro que a demasiada paixão, doentia, compulsiva ou ilusória pode conduzir às atitudes infantis ou até mesmo violentas. Porém, na estabilidade de um amor verdadeiro, a tendência será de apenas resultados bons e agradáveis. Num dia desses li em um papelzinho do Serenata de Amor “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção”. Dessa forma, caminhar, construir e unir forças são os fins mais nobres de companheiros. “Não é o perfeito, mas o imperfeito, que precisa de amor.” Como ninguém é dono da perfeição, todos estão propensos a completar-se. Coração e razão podem sim andar juntos e não é preciso ser louco pra acreditar nisso, apenas provar o deleite de um puro e sincero sentimento.

sábado, 6 de novembro de 2010

Efêmero versus Perene

Muitas pessoas supervalorizam a estética corporal, a beleza. Gastam o que têm e o que não para alcançarem esses objetivos que, de fato, considero vãos. Frívolos, efêmeros, superficiais. Não sei, mas beleza parece-me ser um meio e não um fim digno pra almejar-se. Quero dizer, beleza é apenas um meio de conseguir outras coisas. Afeto, carinho, amor, prestígio, orgulho, sucesso... Não digo que não devamos importar-nos com a aparência. É óbvio que devemos, mas não ao ponto de virar uma neurose. Ainda mais porque isso tudo está intimamente ligado com auto-estima, bem estar, etc... Ainda assim, o corpo é material e corruptível. Se algum ser amar somente pela beleza irá, da mesma forma, deixar de amar quando ela esvair-se.
É por isso que devemos nos apegar em finalidades não tão passageiras. Prender-se demais às coisas materiais ou tirar demais os pés do chão, pode não ser bom. Bem, quando te soltarem o tombo será grande.

Mas não é sobre esse tipo de preocupação para com o corpo que pretendo tratar. Atípico é refletir sobre a nossa fragilidade enquanto meros mortais... Tão suscetíveis e sujeitos às doenças, males do corpo humano. Trata-se da dependência em relação à matéria física, instrumento da mente, morada da alma.

O mais deprimente é que, quase sempre, só valorizamos devidamente as coisas na hora em que as perdemos. O homem costuma dar-se conta do valor inestimável dos bens (digo aqui os não materiais) em situação de risco, risco de perdê-los. Tudo pode mudar em poucos segundos. Frente às novas realidades, você pode começar a ver tudo de uma outra forma.

O homem, capaz de tanta brutalidade e, ao mesmo tempo, grandes feitios. Alguém que pode matar milhares com uma bomba atômica em poucos minutos pode também escrever Os lusíadas. Um ser tão frágil e vulnerável à naturalidade, pelo menos enquanto não consegue virar Deus (embora venha tentando)...

Às vezes, quando você revê aquele amigo ou parente que não vê há tempos percebe que sua estima por ele em nada mudou. Acredito que o tempo não leva junto os sentimentos e os valores verdadeiros. Só as coisas mais profundas e verdadeiras não passarão. E eu acredito nessas coisas. Vida após a morte? Sim, na minha opinião. Seria muito mesquinho se fosse só isso.

Doe órgãos, por exemplo. Seu corpo vai virar pó, porque não ajudar? Riqueza? Você também não irá levá-la para o túmulo. Falta o sentimento de igualdade, empatia e, porque não, um pouco socialista nos indivíduos (refiro-me aqui ao príncípio teórico socialista, não o sistema distorcido que ainda remanesce).

Dar-se conta do valor do corpo é dar-se conta do valor da vida. É valorizar o que passa despercebido, é ter compaixão para com outro, é comoção, é ajuda, talvez até um mundo melhor. É preciso perceber que o “olhar só pra dentro é o maior desperdício”.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"Que vês quando me vês?"

Superestimar pessoas é, quase sempre, um erro. Às vezes, idealizamos demais e criamos falsas virtudes em volta de alguém para, posteriormente, sofrermos decepções certas. A tendência de estender a primeira impressão é uma das causas. A primeira impressão é a que fica? Bom, se for é lamentável, pois ela nos leva diretamente ao engano. Geralmente, indivíduos ficam extasiados com certos atributos de primeira vista e só conseguem enxergar as qualidades, ou também, só os defeitos (se a primeira impressão tiver causado repulsa). Pré-julgamento. Pré-conceito. Juízo falso. Desacerto. Como disse Bob Marley “Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!” Mas é certo que todos precisamos de ídolos, alguém para inspirar-se, pode ser Martin Luther King, o Jimi Hendrix ou a sua mãe. Só é importante questionar-se: Será que eles estão tão distantes assim?

Por outro lado, ser subestimado pode ser pior ainda se, somente se, você se importar com isso. A partir do momento em que as opiniões alheias afetam-nos aí sim temos um problema. De certa forma, o pensamento determina assim a realidade, a sua verdade, o mundo em que vive. Só você vê-o dessa forma. Muitas pessoas pensam ver da mesma maneira. Eu diria que poderiam pensar semelhante mas não igual. O que é possível extrair de tudo isso? Bem, se todos visualizam diferentemente porque então deixamos subjugar-nos pela opinião dos outros? A quem queremos agradar? A todos, seria impossível façanha.

O âmago de todo indivíduo é único e mais, tem sempre algo tão profundo que só pertence a nós. Algo que até o fim dos tempos não iremos dividir com ninguém. Quero dizer, podemos ter confidentes, amigos e familiares, mas estes nunca irão conhecer-nos totalmente ao ponto de prever com exatidão todas as nossas atitudes, inferências e decisões, embora possam até chegar bem perto... Ao final, atribuo sim caráter subjetivo e relativo à realidade, à verdade e aos valores. Não copie, transforme. Não submeta-se às convenções sem antes questioná-las. Mantenha suas idéias e sua originalidade. É no debate e discussão de divergentes visões que crescemos, diminuímos a cegueira e derrubamos tabus. A soma dos pontos de vista de cada ilha de um arquipélago resulta na visão do mar todo.

Inspiração musical, recomendada =D  QUE VES? - Tihuana

sábado, 11 de setembro de 2010

Estigmas e felicidade

Às vezes é muito esquisito, mas comumente tenho mil coisas na cabeça pra falar e não digo nem a metade delas. É estranho porque parece que estou sempre correndo contra o tempo. Nunca é o bastante, o suficiente. Sentir-se incompleto é uma situação essencialmente desconfortável mas, acredito eu, inerente a todos nós. Essa característica faz com que estejamos sempre procurando, buscando aquilo que nos falta e que, lamentavelmente nunca teremos por completo. Quero dizer, as pessoas compram coisas, passeiam, se divertem, namoram, (entre outros) para alcançar o bem-estar pessoal, a tão idealizada felicidade.

Felicidade é um estado de espírito, não creio que seja algo permanente e estável. Não.
Esse estado, manifestado também fisicamente, deve ser conquistado a cada momento. Ninguém, é obvio, é feliz 24 hs por dia e 365 dias por ano. Todos choramos e/ou gritamos. Temos momentos de tristeza, decepção, lamentação. É a dinâmica da vida, é assim que a banda toca. Que monótono seria uma vida contínua de alegrias. De modo algum essa ideia significa gosto pelo sofrimento, mas, pare para pensar: “Não haveria luz se não fosse a escuridão/ Não existiria som se não houvesse o silêncio”. Não haveria graça, reconhecimento ou orgulho nas vitórias após derrotas, nas conquistas, nas lutas, no alcance. Normalmente, quem briga pra conseguir alguma coisa sempre dá mais valor à ela, já quem ganha de mão beijada parece não despertar a mesma sensação. Ainda mais, não saberíamos como são as pessoas realmente. Aqueles que não só regozijam ou riem, mas também enxugam suas lágrimas, te apóiam, te ajudam em verdade...

Felicidade são momentos interruptos, com maior ou menor frequência pra uns e pra outros. É por isso que vivemos em um incessante remoer (nem todo mundo, claro). Sobrevivendo, muitas vezes, de passado, de boas lembranças. Manchas do decorrido. Momentos que marcaram-nos, podem ter durado tão tão pouco ou talvez até nunca tenham existido, apenas idealizados nos sonhos, mas que são reais o bastante pra nos fazer levantar todo dia. Ideais, ideologias e a luta pelo que se acredita, tudo vale. É essa busca incessante que caracteriza bem todo ser humano. Essa procura constante pra preencher o vazio, que pode sim, pendurar até a morte.

sábado, 4 de setembro de 2010

Post Intimista


Pela primeira vez estou digitando sobre mim aqui. Algo tão pessoal numa dimensão tão intangível, tão anarquista! É isso aí. Viva à liberdade e à facilidade atuais. Graças a tudo isso, hoje podemos alterar um artigo do wikipédia sem problemas, sabendo que incontáveis pessoas hão de lê-lo. Publicar vídeos abertamente no youtube, ou, simplesmente, postar em um blog. Yeah, “Do it yourself!”. Que sugestivo. Parece eufórico demais?! As pessoas sempre puderam fazer por elas mesmas (certo), contudo (convenhamos ok?) agora está tudo absurdamente mais fácil. Mas, não vou entrar no mérito dessa questão porque, como sempre, acabo estendendo o mote (...)

Divulgar opiniões pessoais, é claro, requer escrúpulo, noção e sociabilidade (ao menos virtual então, não?). Talvez a arte seja não só, mas principalmente, uma expressão dedicada ao outrem. Em outros termos, algo feito para um público, para que alguém sinta, pense, admire, mude, critique, desfrute, aprecie. Enfim, um “feedback”. Ninguém pinta um quadro pra escondê-lo, escreve um poema pra nunca ser lido, um teatro pra nunca ser visto, uma música pra nunca ser ouvida. Que generalizante... (Concordo). Também não gosto de afirmativas convictas assim, onde nada pode meter-se. Aquelas que não dão margem pra emendas, apenas cospem “é isso e ponto”. Ah!!! Até parece... (mal de cético). Mas, contudo e, todavia, essa poderia ser uma boa definição pra ARTE.

Irei defender, empiricamente, minha tese. Indivíduos que não mostram sua arte (opinião, escritos, feitos, qualquer tipo de manifestação pessoal) sentem-se, na maioria das vezes, frustrados, malogrados (a meu ver). Já escrevi poemas, desenhei HQs, comecei um livro e joguei tudo fora (nesse ponto sou materialista, sempre fui adepta ao papel, agora olha só I'm going through changes). Se, tudo bem, exista quem se expresse artisticamente ainda que sem pretensões de espectadores, fazem-no para si mesmo. Se não pra outros, ao menos para eles mesmos. Daí realizam-se, completam-se. Convincente (?)

Só lembrando arte pra mim é toda e qualquer manifestação que envolve algum tipo de elaboração. Pode ser um discurso, uma opinião, uma fala. Arte é exteriorização do seu eu, independentemente de saber desenhar, tocar ou dramatizar. Essa é uma visão bem abrangente. Eu vejo a arte assim, a prática de uma idéia que você domine com destreza, afinal, todos temos aptidões. Produção artística é transmissão de sentimentos e sensações embasadas nas vivências pessoais. Faça sua própria Art nouveau, e mais vivas à liberdade de expressão!

Uma das minhas intenções, a priori, foi despertar indagação ou ao menos dúvida quanto ao título, à primeira frase e o decorrer do restante do texto. Do mais, quero dizer, rever conceitos, padrões tão tachados e limitados. Ora, o que se entende por “intimista”? Talvez, “falar algo sobre mim” possa remeter a relatos de experiência e dramas pessoais, e não é só isso. Gosto de inferências, de emendas, de ver as coisas de modo mais abrangente, sim! Existe algo mais pessoal ou intimista do que a sua opinião? Ela é, pois, só sua. O que você pensa sobre as coisas e as pessoas?

Além de meramente descrever ou narrar, opinar é o que requer mais do seu ego. O seu senso, a sua conclusão, as suas escolhas atuais mostram mais você do que o restante de suas atitudes, ainda mais porque também somos “metamorfoses ambulantes”. Mais do que seu passado, seu erros, seus feitos, suas glórias, o que você apreende de tudo vale mais. O que você pensa hoje vale tudo.