Às vezes é muito esquisito, mas comumente tenho mil coisas na cabeça pra falar e não digo nem a metade delas. É estranho porque parece que estou sempre correndo contra o tempo. Nunca é o bastante, o suficiente. Sentir-se incompleto é uma situação essencialmente desconfortável mas, acredito eu, inerente a todos nós. Essa característica faz com que estejamos sempre procurando, buscando aquilo que nos falta e que, lamentavelmente nunca teremos por completo. Quero dizer, as pessoas compram coisas, passeiam, se divertem, namoram, (entre outros) para alcançar o bem-estar pessoal, a tão idealizada felicidade.
Felicidade é um estado de espírito, não creio que seja algo permanente e estável. Não.
Esse estado, manifestado também fisicamente, deve ser conquistado a cada momento. Ninguém, é obvio, é feliz 24 hs por dia e 365 dias por ano. Todos choramos e/ou gritamos. Temos momentos de tristeza, decepção, lamentação. É a dinâmica da vida, é assim que a banda toca. Que monótono seria uma vida contínua de alegrias. De modo algum essa ideia significa gosto pelo sofrimento, mas, pare para pensar: “Não haveria luz se não fosse a escuridão/ Não existiria som se não houvesse o silêncio”. Não haveria graça, reconhecimento ou orgulho nas vitórias após derrotas, nas conquistas, nas lutas, no alcance. Normalmente, quem briga pra conseguir alguma coisa sempre dá mais valor à ela, já quem ganha de mão beijada parece não despertar a mesma sensação. Ainda mais, não saberíamos como são as pessoas realmente. Aqueles que não só regozijam ou riem, mas também enxugam suas lágrimas, te apóiam, te ajudam em verdade...
Felicidade são momentos interruptos, com maior ou menor frequência pra uns e pra outros. É por isso que vivemos em um incessante remoer (nem todo mundo, claro). Sobrevivendo, muitas vezes, de passado, de boas lembranças. Manchas do decorrido. Momentos que marcaram-nos, podem ter durado tão tão pouco ou talvez até nunca tenham existido, apenas idealizados nos sonhos, mas que são reais o bastante pra nos fazer levantar todo dia. Ideais, ideologias e a luta pelo que se acredita, tudo vale. É essa busca incessante que caracteriza bem todo ser humano. Essa procura constante pra preencher o vazio, que pode sim, pendurar até a morte.