sábado, 11 de setembro de 2010

Estigmas e felicidade

Às vezes é muito esquisito, mas comumente tenho mil coisas na cabeça pra falar e não digo nem a metade delas. É estranho porque parece que estou sempre correndo contra o tempo. Nunca é o bastante, o suficiente. Sentir-se incompleto é uma situação essencialmente desconfortável mas, acredito eu, inerente a todos nós. Essa característica faz com que estejamos sempre procurando, buscando aquilo que nos falta e que, lamentavelmente nunca teremos por completo. Quero dizer, as pessoas compram coisas, passeiam, se divertem, namoram, (entre outros) para alcançar o bem-estar pessoal, a tão idealizada felicidade.

Felicidade é um estado de espírito, não creio que seja algo permanente e estável. Não.
Esse estado, manifestado também fisicamente, deve ser conquistado a cada momento. Ninguém, é obvio, é feliz 24 hs por dia e 365 dias por ano. Todos choramos e/ou gritamos. Temos momentos de tristeza, decepção, lamentação. É a dinâmica da vida, é assim que a banda toca. Que monótono seria uma vida contínua de alegrias. De modo algum essa ideia significa gosto pelo sofrimento, mas, pare para pensar: “Não haveria luz se não fosse a escuridão/ Não existiria som se não houvesse o silêncio”. Não haveria graça, reconhecimento ou orgulho nas vitórias após derrotas, nas conquistas, nas lutas, no alcance. Normalmente, quem briga pra conseguir alguma coisa sempre dá mais valor à ela, já quem ganha de mão beijada parece não despertar a mesma sensação. Ainda mais, não saberíamos como são as pessoas realmente. Aqueles que não só regozijam ou riem, mas também enxugam suas lágrimas, te apóiam, te ajudam em verdade...

Felicidade são momentos interruptos, com maior ou menor frequência pra uns e pra outros. É por isso que vivemos em um incessante remoer (nem todo mundo, claro). Sobrevivendo, muitas vezes, de passado, de boas lembranças. Manchas do decorrido. Momentos que marcaram-nos, podem ter durado tão tão pouco ou talvez até nunca tenham existido, apenas idealizados nos sonhos, mas que são reais o bastante pra nos fazer levantar todo dia. Ideais, ideologias e a luta pelo que se acredita, tudo vale. É essa busca incessante que caracteriza bem todo ser humano. Essa procura constante pra preencher o vazio, que pode sim, pendurar até a morte.

sábado, 4 de setembro de 2010

Post Intimista


Pela primeira vez estou digitando sobre mim aqui. Algo tão pessoal numa dimensão tão intangível, tão anarquista! É isso aí. Viva à liberdade e à facilidade atuais. Graças a tudo isso, hoje podemos alterar um artigo do wikipédia sem problemas, sabendo que incontáveis pessoas hão de lê-lo. Publicar vídeos abertamente no youtube, ou, simplesmente, postar em um blog. Yeah, “Do it yourself!”. Que sugestivo. Parece eufórico demais?! As pessoas sempre puderam fazer por elas mesmas (certo), contudo (convenhamos ok?) agora está tudo absurdamente mais fácil. Mas, não vou entrar no mérito dessa questão porque, como sempre, acabo estendendo o mote (...)

Divulgar opiniões pessoais, é claro, requer escrúpulo, noção e sociabilidade (ao menos virtual então, não?). Talvez a arte seja não só, mas principalmente, uma expressão dedicada ao outrem. Em outros termos, algo feito para um público, para que alguém sinta, pense, admire, mude, critique, desfrute, aprecie. Enfim, um “feedback”. Ninguém pinta um quadro pra escondê-lo, escreve um poema pra nunca ser lido, um teatro pra nunca ser visto, uma música pra nunca ser ouvida. Que generalizante... (Concordo). Também não gosto de afirmativas convictas assim, onde nada pode meter-se. Aquelas que não dão margem pra emendas, apenas cospem “é isso e ponto”. Ah!!! Até parece... (mal de cético). Mas, contudo e, todavia, essa poderia ser uma boa definição pra ARTE.

Irei defender, empiricamente, minha tese. Indivíduos que não mostram sua arte (opinião, escritos, feitos, qualquer tipo de manifestação pessoal) sentem-se, na maioria das vezes, frustrados, malogrados (a meu ver). Já escrevi poemas, desenhei HQs, comecei um livro e joguei tudo fora (nesse ponto sou materialista, sempre fui adepta ao papel, agora olha só I'm going through changes). Se, tudo bem, exista quem se expresse artisticamente ainda que sem pretensões de espectadores, fazem-no para si mesmo. Se não pra outros, ao menos para eles mesmos. Daí realizam-se, completam-se. Convincente (?)

Só lembrando arte pra mim é toda e qualquer manifestação que envolve algum tipo de elaboração. Pode ser um discurso, uma opinião, uma fala. Arte é exteriorização do seu eu, independentemente de saber desenhar, tocar ou dramatizar. Essa é uma visão bem abrangente. Eu vejo a arte assim, a prática de uma idéia que você domine com destreza, afinal, todos temos aptidões. Produção artística é transmissão de sentimentos e sensações embasadas nas vivências pessoais. Faça sua própria Art nouveau, e mais vivas à liberdade de expressão!

Uma das minhas intenções, a priori, foi despertar indagação ou ao menos dúvida quanto ao título, à primeira frase e o decorrer do restante do texto. Do mais, quero dizer, rever conceitos, padrões tão tachados e limitados. Ora, o que se entende por “intimista”? Talvez, “falar algo sobre mim” possa remeter a relatos de experiência e dramas pessoais, e não é só isso. Gosto de inferências, de emendas, de ver as coisas de modo mais abrangente, sim! Existe algo mais pessoal ou intimista do que a sua opinião? Ela é, pois, só sua. O que você pensa sobre as coisas e as pessoas?

Além de meramente descrever ou narrar, opinar é o que requer mais do seu ego. O seu senso, a sua conclusão, as suas escolhas atuais mostram mais você do que o restante de suas atitudes, ainda mais porque também somos “metamorfoses ambulantes”. Mais do que seu passado, seu erros, seus feitos, suas glórias, o que você apreende de tudo vale mais. O que você pensa hoje vale tudo.