sexta-feira, 11 de março de 2011

O devir

Mudanças tornaram-se uma constante, em intervalos de tempo cada vez menores... Pela primeira vez em muitos anos o HD do meu computador queimou e eu perdi nada menos que tudo. Documentos, trabalhos, fotos pessoais que nunca havia colocado em sites de relacionamento, uma infinidade de coisas intangíveis, mas que remetem lembranças, sentimentos e significados muito concretos. O que apreendi disso... Que deveria, pois, ser mais precavida? Não. Mas sim que devo lidar naturalmente com tais mudanças. A mente humana deve ser aberta, receptível e maleável. Tentar sistematizar a vida como uma função matemática ou algo previsível e sequencial é uma tarefa estéril. Viver segundo um modelo padrão e metódico regride a alma ao ponto de torná-la incapaz de aceitar novas realidades. Não há nada tão volúvel ou caótico quanto a vida humana, seja pela fatalidade do destino, seja por condições externas sobre as quais não temos controle ou seja pelo próprio comportamento humano instável. As nossas escolhas corriqueiras e aparentemente pouco importantes determinam o futuro em face ao acaso.

Essa linha de pensamento, é claro, inspirada na teoria do caos exemplifica perfeitamente o fenômeno da imprevisibilidade. E é a partir daí que se torna possível identificar que não seria nenhuma força mística e sim nós mesmos os autores e os responsáveis pelo nosso próprio destino. Ao usar o termo “nós” entende-se de forma generalizante e atemporal, ou seja, todo e qualquer ser humano que habitou, habita ou venha habitar o mesmo planeta em questão. Há tempos o homem muda o ambiente ao seu redor e pequenas alterações culminam em resultados de proporções incontroláveis e imprevisíveis a longo prazo. Engenharia genética, trangênicos, melhoramento de seres naturais, alteração no equilíbrio, mudança na paisagem natural, extração drástica de recursos sem reposição, mentalidade capitalista... Tudo isso e mais resulta no caos que hoje permeia a realidade. Uma sociedade de risco. Mudança nos valores, nos hábitos e crenças formaram uma sociedade melhor em alguns aspectos e pior em outros. Nada gera-se do nada. Nossos ancentrais distantes ou nem tanto forjaram muito do que vivemos hoje. E às vezes nem nos damos conta que assimilamos tantos hábitos, formas de vida, de educação, padrões de comportamento legados do passado. Usufruímos de artefatos desenvolvidos, passados de geração em geração, aperfeiçoados. É como se, ao nascer, caíssemos de paraquedas e fôssemos como um vaso de barro moldado segundo a cultura do período e da região. Até que ponto seríamos livres ou seríamos nós mesmos? Tudo evolui pela ação intencional ou não das pessoas. Aperfeiçoamento só é precedido pela iniciativa, evolução, pela mudança. Só dessa maneira o homem deixa sua própria marca, a prova de sua capacidade intelectual por si mesmo. Exemplos de grandes homens, como Galileu Galilei, Leonardo da Vinci e vários outros que ousaram desafiar o que convencionou-se denominar de certo ou errado, possível ou impossível. Mulheres hoje usam calças poque Marlene Dietrich foi a primeira a fazê-lo por volta de 1920. Listras e estampas de roupas estão em alta na “moda” só porque outros disseram que estão, num vai e vem de épocas e tendências.

Um exemplo alegórico: por pedir informação para alguém na rua que te orienta erroneamente sobre o local da sua entrevista de emprego, a qual você perde mas que te levaria para outro país, onde conheceria outras pessoas, teria outros amores, filhos e netos diferentes... Enfim pequenas alterações corriqueiras trazem consequências desconhecidas no futuro. Muitos atribuem aos fatos indejáveis, como catástrofes, doenças, etc, a vontade de um ser superior, como Deus, a simples ordem ou ciclo da natureza ou ainda um destino previamente escrito ao qual todos estão fadados. Contudo, vítimas ou não do “efeito borboleta”, a realidade não nos pertence por completo, ela é compartilhada como uma teia que envolve tudo que é vivo e não-vivo em um sistema nada linear. O ser humano deve portanto familiarizar-se com a certeza irrefutável de que está subordinado ao bel-prazer do “acaso”, ou em outras palavras, à uma paisagem determinada por incalculáveis fatores e influenciada por todos os seres, inclusive por você e seu poder de mudar o que será escrito.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sob uma perspectiva amorosa

Relação interpessoal, algo que, por natureza, já é essencialmente complicado. Acredito que a convivência com as pessoas pode render os mais belos frutos do ápice da felicidade e, ao mesmo tempo, dos desgostos e decepções mais profundas. São os extremos, os dois lados da mesma moeda...
Por outro lado, também creio que é possível o equilíbrio e a harmonia com base numa postura correta de cada indivíduo. Muitos conflitos e brigas nada mais são do que produtos de falhas e lacunas das próprias pessoas envolvidas. Distúrbios, carências e traumas fazem com que um ser queira buscar em outro a pessoa que este não pode ser, a cura que não pode dar-lhe. A exigência ao extremo, a própria conduta imatura e o desconhecimento de si mesmo e de suas reais necessidades são causas comuns da destruição de um relacionamento, seja entre cônjuges, pais e filhos, irmãos ou amigos.

É engraçado e raro contemplar a convivência consonante como a mais harmoniosa melodia de um encadeamento perfeito de acordes... É sabido, de praxe, que trabalhar para comer não é o que há de mais belo na vida. Suprir necessidades naturais (trabalho, moradia, saúde, etc) são obrigações natas, mas o amor, o mais verdadeiro e sincero sentimento, é o que move todos nós, o que confere sentido a toda existência. Vazia, pois, é uma vida contínua de prazeres efêmeros se não existir o amor de uma mãe, a preocupação e a bronca de um pai, a cumplicidade e o ombro de um amigo, o carinho de um parceiro... O homem é um animal social que, portanto, precisa viver em comunidade, precisa sentir-se necessário, amado, integrado. Ninguém é feliz sozinho. Como no trecho intertextualizado entre Bíblia e a música de Renato Russo: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria”. É só o amor!

Amantes da racionalidade podem tentar sistematizar demais e afastar-se das essências. Nietzsche disse uma vez que o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são. Pensamentos desse gênero, como chavões “o amor é cego” contribuem para criar abismos entre o amor e a racionalidade. Em contraste, lembro da letra do Charlie Brown Jr. “Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão. Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião”. É claro que a demasiada paixão, doentia, compulsiva ou ilusória pode conduzir às atitudes infantis ou até mesmo violentas. Porém, na estabilidade de um amor verdadeiro, a tendência será de apenas resultados bons e agradáveis. Num dia desses li em um papelzinho do Serenata de Amor “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção”. Dessa forma, caminhar, construir e unir forças são os fins mais nobres de companheiros. “Não é o perfeito, mas o imperfeito, que precisa de amor.” Como ninguém é dono da perfeição, todos estão propensos a completar-se. Coração e razão podem sim andar juntos e não é preciso ser louco pra acreditar nisso, apenas provar o deleite de um puro e sincero sentimento.

sábado, 6 de novembro de 2010

Efêmero versus Perene

Muitas pessoas supervalorizam a estética corporal, a beleza. Gastam o que têm e o que não para alcançarem esses objetivos que, de fato, considero vãos. Frívolos, efêmeros, superficiais. Não sei, mas beleza parece-me ser um meio e não um fim digno pra almejar-se. Quero dizer, beleza é apenas um meio de conseguir outras coisas. Afeto, carinho, amor, prestígio, orgulho, sucesso... Não digo que não devamos importar-nos com a aparência. É óbvio que devemos, mas não ao ponto de virar uma neurose. Ainda mais porque isso tudo está intimamente ligado com auto-estima, bem estar, etc... Ainda assim, o corpo é material e corruptível. Se algum ser amar somente pela beleza irá, da mesma forma, deixar de amar quando ela esvair-se.
É por isso que devemos nos apegar em finalidades não tão passageiras. Prender-se demais às coisas materiais ou tirar demais os pés do chão, pode não ser bom. Bem, quando te soltarem o tombo será grande.

Mas não é sobre esse tipo de preocupação para com o corpo que pretendo tratar. Atípico é refletir sobre a nossa fragilidade enquanto meros mortais... Tão suscetíveis e sujeitos às doenças, males do corpo humano. Trata-se da dependência em relação à matéria física, instrumento da mente, morada da alma.

O mais deprimente é que, quase sempre, só valorizamos devidamente as coisas na hora em que as perdemos. O homem costuma dar-se conta do valor inestimável dos bens (digo aqui os não materiais) em situação de risco, risco de perdê-los. Tudo pode mudar em poucos segundos. Frente às novas realidades, você pode começar a ver tudo de uma outra forma.

O homem, capaz de tanta brutalidade e, ao mesmo tempo, grandes feitios. Alguém que pode matar milhares com uma bomba atômica em poucos minutos pode também escrever Os lusíadas. Um ser tão frágil e vulnerável à naturalidade, pelo menos enquanto não consegue virar Deus (embora venha tentando)...

Às vezes, quando você revê aquele amigo ou parente que não vê há tempos percebe que sua estima por ele em nada mudou. Acredito que o tempo não leva junto os sentimentos e os valores verdadeiros. Só as coisas mais profundas e verdadeiras não passarão. E eu acredito nessas coisas. Vida após a morte? Sim, na minha opinião. Seria muito mesquinho se fosse só isso.

Doe órgãos, por exemplo. Seu corpo vai virar pó, porque não ajudar? Riqueza? Você também não irá levá-la para o túmulo. Falta o sentimento de igualdade, empatia e, porque não, um pouco socialista nos indivíduos (refiro-me aqui ao príncípio teórico socialista, não o sistema distorcido que ainda remanesce).

Dar-se conta do valor do corpo é dar-se conta do valor da vida. É valorizar o que passa despercebido, é ter compaixão para com outro, é comoção, é ajuda, talvez até um mundo melhor. É preciso perceber que o “olhar só pra dentro é o maior desperdício”.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"Que vês quando me vês?"

Superestimar pessoas é, quase sempre, um erro. Às vezes, idealizamos demais e criamos falsas virtudes em volta de alguém para, posteriormente, sofrermos decepções certas. A tendência de estender a primeira impressão é uma das causas. A primeira impressão é a que fica? Bom, se for é lamentável, pois ela nos leva diretamente ao engano. Geralmente, indivíduos ficam extasiados com certos atributos de primeira vista e só conseguem enxergar as qualidades, ou também, só os defeitos (se a primeira impressão tiver causado repulsa). Pré-julgamento. Pré-conceito. Juízo falso. Desacerto. Como disse Bob Marley “Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!” Mas é certo que todos precisamos de ídolos, alguém para inspirar-se, pode ser Martin Luther King, o Jimi Hendrix ou a sua mãe. Só é importante questionar-se: Será que eles estão tão distantes assim?

Por outro lado, ser subestimado pode ser pior ainda se, somente se, você se importar com isso. A partir do momento em que as opiniões alheias afetam-nos aí sim temos um problema. De certa forma, o pensamento determina assim a realidade, a sua verdade, o mundo em que vive. Só você vê-o dessa forma. Muitas pessoas pensam ver da mesma maneira. Eu diria que poderiam pensar semelhante mas não igual. O que é possível extrair de tudo isso? Bem, se todos visualizam diferentemente porque então deixamos subjugar-nos pela opinião dos outros? A quem queremos agradar? A todos, seria impossível façanha.

O âmago de todo indivíduo é único e mais, tem sempre algo tão profundo que só pertence a nós. Algo que até o fim dos tempos não iremos dividir com ninguém. Quero dizer, podemos ter confidentes, amigos e familiares, mas estes nunca irão conhecer-nos totalmente ao ponto de prever com exatidão todas as nossas atitudes, inferências e decisões, embora possam até chegar bem perto... Ao final, atribuo sim caráter subjetivo e relativo à realidade, à verdade e aos valores. Não copie, transforme. Não submeta-se às convenções sem antes questioná-las. Mantenha suas idéias e sua originalidade. É no debate e discussão de divergentes visões que crescemos, diminuímos a cegueira e derrubamos tabus. A soma dos pontos de vista de cada ilha de um arquipélago resulta na visão do mar todo.

Inspiração musical, recomendada =D  QUE VES? - Tihuana

sábado, 11 de setembro de 2010

Estigmas e felicidade

Às vezes é muito esquisito, mas comumente tenho mil coisas na cabeça pra falar e não digo nem a metade delas. É estranho porque parece que estou sempre correndo contra o tempo. Nunca é o bastante, o suficiente. Sentir-se incompleto é uma situação essencialmente desconfortável mas, acredito eu, inerente a todos nós. Essa característica faz com que estejamos sempre procurando, buscando aquilo que nos falta e que, lamentavelmente nunca teremos por completo. Quero dizer, as pessoas compram coisas, passeiam, se divertem, namoram, (entre outros) para alcançar o bem-estar pessoal, a tão idealizada felicidade.

Felicidade é um estado de espírito, não creio que seja algo permanente e estável. Não.
Esse estado, manifestado também fisicamente, deve ser conquistado a cada momento. Ninguém, é obvio, é feliz 24 hs por dia e 365 dias por ano. Todos choramos e/ou gritamos. Temos momentos de tristeza, decepção, lamentação. É a dinâmica da vida, é assim que a banda toca. Que monótono seria uma vida contínua de alegrias. De modo algum essa ideia significa gosto pelo sofrimento, mas, pare para pensar: “Não haveria luz se não fosse a escuridão/ Não existiria som se não houvesse o silêncio”. Não haveria graça, reconhecimento ou orgulho nas vitórias após derrotas, nas conquistas, nas lutas, no alcance. Normalmente, quem briga pra conseguir alguma coisa sempre dá mais valor à ela, já quem ganha de mão beijada parece não despertar a mesma sensação. Ainda mais, não saberíamos como são as pessoas realmente. Aqueles que não só regozijam ou riem, mas também enxugam suas lágrimas, te apóiam, te ajudam em verdade...

Felicidade são momentos interruptos, com maior ou menor frequência pra uns e pra outros. É por isso que vivemos em um incessante remoer (nem todo mundo, claro). Sobrevivendo, muitas vezes, de passado, de boas lembranças. Manchas do decorrido. Momentos que marcaram-nos, podem ter durado tão tão pouco ou talvez até nunca tenham existido, apenas idealizados nos sonhos, mas que são reais o bastante pra nos fazer levantar todo dia. Ideais, ideologias e a luta pelo que se acredita, tudo vale. É essa busca incessante que caracteriza bem todo ser humano. Essa procura constante pra preencher o vazio, que pode sim, pendurar até a morte.

sábado, 4 de setembro de 2010

Post Intimista


Pela primeira vez estou digitando sobre mim aqui. Algo tão pessoal numa dimensão tão intangível, tão anarquista! É isso aí. Viva à liberdade e à facilidade atuais. Graças a tudo isso, hoje podemos alterar um artigo do wikipédia sem problemas, sabendo que incontáveis pessoas hão de lê-lo. Publicar vídeos abertamente no youtube, ou, simplesmente, postar em um blog. Yeah, “Do it yourself!”. Que sugestivo. Parece eufórico demais?! As pessoas sempre puderam fazer por elas mesmas (certo), contudo (convenhamos ok?) agora está tudo absurdamente mais fácil. Mas, não vou entrar no mérito dessa questão porque, como sempre, acabo estendendo o mote (...)

Divulgar opiniões pessoais, é claro, requer escrúpulo, noção e sociabilidade (ao menos virtual então, não?). Talvez a arte seja não só, mas principalmente, uma expressão dedicada ao outrem. Em outros termos, algo feito para um público, para que alguém sinta, pense, admire, mude, critique, desfrute, aprecie. Enfim, um “feedback”. Ninguém pinta um quadro pra escondê-lo, escreve um poema pra nunca ser lido, um teatro pra nunca ser visto, uma música pra nunca ser ouvida. Que generalizante... (Concordo). Também não gosto de afirmativas convictas assim, onde nada pode meter-se. Aquelas que não dão margem pra emendas, apenas cospem “é isso e ponto”. Ah!!! Até parece... (mal de cético). Mas, contudo e, todavia, essa poderia ser uma boa definição pra ARTE.

Irei defender, empiricamente, minha tese. Indivíduos que não mostram sua arte (opinião, escritos, feitos, qualquer tipo de manifestação pessoal) sentem-se, na maioria das vezes, frustrados, malogrados (a meu ver). Já escrevi poemas, desenhei HQs, comecei um livro e joguei tudo fora (nesse ponto sou materialista, sempre fui adepta ao papel, agora olha só I'm going through changes). Se, tudo bem, exista quem se expresse artisticamente ainda que sem pretensões de espectadores, fazem-no para si mesmo. Se não pra outros, ao menos para eles mesmos. Daí realizam-se, completam-se. Convincente (?)

Só lembrando arte pra mim é toda e qualquer manifestação que envolve algum tipo de elaboração. Pode ser um discurso, uma opinião, uma fala. Arte é exteriorização do seu eu, independentemente de saber desenhar, tocar ou dramatizar. Essa é uma visão bem abrangente. Eu vejo a arte assim, a prática de uma idéia que você domine com destreza, afinal, todos temos aptidões. Produção artística é transmissão de sentimentos e sensações embasadas nas vivências pessoais. Faça sua própria Art nouveau, e mais vivas à liberdade de expressão!

Uma das minhas intenções, a priori, foi despertar indagação ou ao menos dúvida quanto ao título, à primeira frase e o decorrer do restante do texto. Do mais, quero dizer, rever conceitos, padrões tão tachados e limitados. Ora, o que se entende por “intimista”? Talvez, “falar algo sobre mim” possa remeter a relatos de experiência e dramas pessoais, e não é só isso. Gosto de inferências, de emendas, de ver as coisas de modo mais abrangente, sim! Existe algo mais pessoal ou intimista do que a sua opinião? Ela é, pois, só sua. O que você pensa sobre as coisas e as pessoas?

Além de meramente descrever ou narrar, opinar é o que requer mais do seu ego. O seu senso, a sua conclusão, as suas escolhas atuais mostram mais você do que o restante de suas atitudes, ainda mais porque também somos “metamorfoses ambulantes”. Mais do que seu passado, seu erros, seus feitos, suas glórias, o que você apreende de tudo vale mais. O que você pensa hoje vale tudo.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Idade Antiga
A arte na Idade Antiga é bem diversificada, mostra-nos diversos fundamentos ideológicos, pois é composta pelas riquezas das artes egípcia, grega, romana, paleocristã, bizantina e islâmica. Foi na Antiguidade que surgiram os primeiros conceitos teóricos a respeito da sistematização e estudo das artes. Para alguns os a arte esteve bastante associada às necessidades religiosas (egípcios e babilônios), buscava-se de trazer para o mundo mortal os valores do mundo divino. E para outros (os gregos e romanos) caminharam para uma arte com novos significados: uma forma de humanismo, em que o homem era o centro de todas as coisas, e não Deus (teocentrismo). A arte bizantina foi também conduzida pela religião. A Arte islâmica absorveu traços dos povos conquistados, como eram nômades, os muçulmanos demoraram a estabelecer sua própria identidade artística. Ao definir seu estilo conceitual e religioso, nos deixaram as belas cúpulas nas mesquitas e lindos tapetes persas. Seguindo uma linha cronológica, veremos agora como se manifestou as produções artísticas nas Civilizações Antigas.

ARTE EGÍPICIA

A arte egípcia refere-se à arte desenvolvida pela civilização do antigo Egito localizada no vale do rio Nilo no Norte de África. Foi uma das principais civilizações da Antigüidade, já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais. A arte do antigo Egipto tem objetivos políticos e religiosos. O faraó, soberano absoluto, é o representante de deus na Terra e é este seu aspecto divino que vai guiar profundamente a manifestação artística, pois ela representa, exalta e homenageia constantemente o faraó e as diversas divindades da mitologia egípcia, sendo aplicada em objetos ou espaços relacionados com o culto dos mortos, isto porque a transição da vida à morte é vista, como um momento de passagem da vida à vida eterna e suprema. Os túmulos são, por isto, os marcos mais representativos da arte egípcia, lá são depositados as múmias e todos os bens (riquezas) que lhe serão necessários à existência após a morte.
Arquitetura
As construções mais importantes para os egípcios eram aquelas destinadas a uso religioso. Por isso, os edifícios civis recebiam menos atenção, eram empregados os materiais menos duráveis. As grandes manifestações da arquitetura egípcia foram os magníficos templos religiosos, as pirâmides (túmulo real, destinado ao faraó), os hipogeus (túmulo para a nobreza) e as mastabas (túmulo destinado à gente do povo).
As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e, foram construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. As pirâmides tinham base quadrangular eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e seus pertences.

Escultura
Eram numerosas as estátuas esculpidas com a finalidade de ficar dentro dos túmulos. A escultura egípcia atingiu seu desenvolvimento máximo com os sarcófagos, esculpidos em pedra ou madeira. Os artistas procuravam reproduzir com fidelidade as feições dos mortos, a fim de facilitar o trabalho da alma na busca do seu corpo. representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de frente sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de imortalidade. De maneira geral, nas esculturas de sarcófagos predominavam a “frontalidade” (o corpo apresentado de frente), a “verticalidade” (o tronco e o pescoço na posição vertical), e a “simetria”, raramente as figuras fugiam à postura “Hierática”; quando expressavam algum movimento, apresentavam a perna esquerda em posição de avanço. Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam colunas e paredes, dando um encanto todo especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo. Os materiais utilizados na escultura deste período foram diorite, granito, xisto, basalto, calcário e alabastro.
Pintura
Os trabalhos nesse campo tinham uma função decorativa e retratavam sobretudo, cenas da vida diária. A pintura complementava a escultura ou decorava as grandes superfícies dos edifícios. Nas figuras, havia a Lei da Frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de perfil, o faraó é sempre muito mais alto que o sacerdote ou militar, o cortesão, o servo, o inimigo derrotado. Mas é menor do que o deus que personificava na terra, segundo os egípcios. A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas, as estátuas, o interior do templos e dos túmulos eram profusamente coloridos. As cores não cumpriam apenas a sua função primária decorativa, mas encontravam-se carregadas de simbolismo, que se descreve de seguida:
Preto: era obtido a partir do carvão, associado à noite e à morte, mas também a fertilidade e a regeneração.
Branco: obtido da cal ou do gesso, era a cor da pureza e da verdade. Como tal era utilizado artísticamente nas vestes dos sacerdotes e nos objectos rituais.
Vermelho: obtido a partir de ocres. O seu significado representava a energia, o poder e a sexualidade, por outro lado estava associado ao mal.
Amarelo: para criarem o amarelo, recorriam ao óxido de ferro hidratado. Como o sol e o ouro eram amarelos, os egípcios associaram esta cor à eternidade. As estátuas dos deuses eram feitas a ouro, assim como os objectos funerários do faraó, como as máscaras.
Verde: era produzido a partir da malaquite do Sinai. Simboliza a regeneração e a vida.
Azul: obtido a partir da azurite (carbonato de cobre) ou recorrendo-se ao óxido de cobalto. Estava associado ao rio Nilo e ao céu.

Escrita
A arte egípcia é profundamente
simbólica. Todas as representações estão repletas de significados que ajudam a caracterizar figuras, a estabelecer níveis hierárquicos e a descrever situações. Do mesmo modo a simbologia serve à estruturação, à simplificação e clarificação da mensagem transmitida criando um forte sentido de ordem e racionalidade extremamente importantes. Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós. Desenvolveram três formas de escrita:
· Hieróglifos - considerada a escrita sagrada
· Hierática - uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes
· Demótica – a escrita popular
O
artista
Os criadores do legado egípcio chegam aos nossos dias anônimos, em poucos casos se conhece o nome do artista. Por regra, o artista egípcio não tem um sentido de individualidade da sua obra, ele efectua um trabalho mediante uma encomenda e requisições específicas e raramente assina o trabalho final. Também as limitações de criatividade impostas pelas normas estéticas, e as exigências funcionais de determinado empreendimento, reduzem o seu campo de actuação individual. Mas o artista é também visto como um indivíduo com uma tarefa divina importante. Mesmo que se trate de um executor ele necessita de contato com o mundo divino para poder receber a sua força criadora.
Artes decorativas e outras artes
As artes decorativas do Império Médio conhecem uma das épocas mais importantes, sobretudo no que diz respeito aos trabalho de
joalharia. Os amuletos, os pentes, os espelhos, as caixas e as candeiais caracterizam-se pela sua beleza.

Curiosidades

Livro dos Mortos: um rolo de papiro com rituais funerários que era posto no sarcófago do faraó morto.
Mumificação: a) Eram retirados o cérebro, através das narinas, com a ajuda de um gancho b) Os intestinos e outros órgãos vitais eram retirados por uma incisão lateral c) O corpo era mergulhado num tanque com um tipo de sal d) Após 40 dias o corpo era revestido de linho, ensopado de resina e aromas e) Era enfaixado e coberto com mais resina, todo o processo durava aproximadamente 70 dias.
Quéops: é a maior das três pirâmides, tinha originalmente 146 metros de altura, um prédio de 48 andares. Nove metros já se foram, graças principalmente à ação corrosiva da poluição vinda do Cairo. Para erguê-la, foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de pedras e o trabalho de cem mil homens, durante vinte anos.


ARTE GREGA

Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega liga-se à inteligência, pois os seus reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. Contemplando a natureza, o artista se empolga pela vida e tenta, através da arte, exprimir suas manifestações. Na sua constante busca da perfeição, o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. Eles têm como características: o racionalismo; amor pela beleza; interesse pelo homem, essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”; e a democracia.

Arquitetura
As edificações que despertaram maior interesse são os templos. A característica mais evidente dos templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos, eram construídos com linhas
retas retangulares, sem arcos nem abóbodas. O projeto era simples: uma construção de forma padronizada retangular sobre uma base ou envasamento de geralmente três degraus, com colunas construídas segundo os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia, o núcleo do templo era uma zona fechada, formada por uma ou mais salas, onde era colocada a estátua do deus.
· Ordem Dórica - era simples e maciça. O fuste da coluna era monolítico e grosso. O capitel era uma almofada de pedra. A ordem dórica traduz a forma do homem.
· Ordem Jônica - A coluna era mais esbelta, o capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. A ordem jônica traduz a forma da mulher.
· Ordem Coríntia - era ainda mais esbelta e ornamentada, sendo famosa pelo seu alto capitel em forma de
sino invertido, decorado com folhas de acanto.



Outra das mais importantes invenções da arquitetura grega foi o
teatro, famoso por sua acústica perfeita, geralmente construído na encosta duma colina, aproveitando as características favoráveis do terreno para ajustar as bancadas semicirculares. No centro do teatro ficava a orquestra, e ao fundo a cena, que funcionava como cenário fixo.
Música

Um estilo de música típicamente grego, a récita de
poesia acompanhada de um ou poucos instrumentos se tornou o gênero mais cultivado. Era comum instrumentos de sopro mas com o tempo desenvolveu-se um rico instrumental, que incluída diversos tipos de instrumentos de percussão, sopro e cordas. A música era uma arte fortemente associada ao universo divino, era considerada um poder efetivo, e estava presente em diversos dos mitos fundadores.
Escultura
A estatuária grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. Na escultura, o antropomorfismo - esculturas de formas humanas - foi insuperável. As estátuas adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, o movimento. Os escultores estudavam as formas do
corpo, elaborando gradualmente suas proporções.
As primeiras
estátuas de pedra, quase do tamanho humano, tem início deste "período arcaico", nessa época as esculturas deveriam ter figuras masculinas nuas, eretas, simétricas, em rigorosa posição frontal e com peso do corpo igualmente distribuido entre as duas pernas.
O mármore mostrou-se um material inadequado: era pesado demais e se quebrava sob seu próprio peso, quando determinadas partes no corpo não estavam apoiadas. A solução para esse problema foi trabalhar com um material mais resistente, o
bronze, pois esse metal permitia ao artista criar figuras que expressassem melhor o movimento. No Período Clássico. Surge o nu feminino, pois no período arcaico, as figuras de mulher eram esculpidas sempre vestidas. Um exemplo clássico é o Discóbolo de Míron, uma estátua de um atleta atirando o disco, originalmente em bronze, mas sobreviveu apenas em cópias romanas em mármore. No Período Helenístico podemos observar como os escultores esforçaram-se para representar o intelecto e a emoção através das feições do rosto, o que levou ao desenvolvimento dos retratos. O caimento das roupas tornou-se dramático, com dobras onduladas complexas para obtenção de efeitos de luz e sombra, além de indicar as diferentes texturas. O corpo humano era suave e gracioso, mas faltava-lhe a força e a dignidade das obras anteriores. Outros temas, até então pouco explorados, também passaram a entrar no repertório figurativo, como a morte, o sofrimento e a velhice, com representações realistas muitas vezes dramáticas e pungentes.
Pintura
A pintura grega desapareceu em grande parte, não restando hoje mais do que reduzidos vestígios. Restou pouco dos grandes murais gregos, exceto algumas notáveis pinturas de
tumbas, decoração de objetos utilitários, como vasos. Os vasos gregos são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à função para que eram destinados: As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. Uma aplicação importante da pintura era na decoração de monumentos e estatuária, se usava cobrir estátuas e elementos decorativos de templos.
Artes decorativas e aplicadas
O criatividade dos antigos gregos não se limitou somente à arquitetura, à escultura e à pintura, que como se viu conheceram um extraordinário florescimento, mas cultivaram uma variedade de outras técnicas cujos produtos não causam talvez tanto impacto imediato por suas dimensões reduzidas, mas que dentro de seu âmbito igualmente atingiram altos níveis de sofisticação. A cerâmica foi extensamente cultivada ao longo de toda a história grega, sendo utilizada como material para confecção de objetos votivos, decorativos e mesmo arquiteturais, além da sua rica produção de vasos decorados que já foi abordada. Os pequenos bronzes, algumas vezes decorados com aplicações de ouro e prata, também abundam em todas as fases, e embora muitos deles possam se enquadrar na classificação de escultura, outros como os vasos, as armas, os adornos, os espelhos e objetos domésticos também amiúde receberam um tratamento que vai além do imprescindível para cumprirem sua função utilitária e se elevaram ao nível de objetos de arte.
Legado da Arte Grega
A arte grega não acabou com a conquista romana e mesmo com a transição do
período antigo para o medieval, ela se desenvolveu como arte helenística e, depois, como arte bizantina, constituindo a base da arte na Europa ocidental. Sua influência duradoura se deve à racionalidade e ao equilíbrio, à sua tendência em privilegiar a estética do humano e da beleza.

ARTE ROMANA

A arte romana foi muito influenciada pela cultura da
grécia antiga e se expressava artísticamente desde a construção de diversas tipologias de edifícios públicos, pintura afresco à escultura, etc. tem uma variedade de temas, como cenas domésticas, retratos, animais e cenas da vida cotidiana. As influencias helenísticas são a evocação dos prazeres da vida no campo e representam cenas de carneiros, rebanhos, templos rústicos, paisagens montanhosas e casas no campo. A maior inovação da pintura romana, comparada com a grega, foi o desenvolvimento das paisagens, incorporando técnicas de perspectiva e profundidade. Outro gênero especifico muito explorado foi o chamado das pinturas triunfais, que descreviam entradas triunfais após vitórias militares, representando episódios das batalhas e das cidades e regiões conquistadas.
A arte da pintura mural, poder ser dividida em quatro estilos:
Incrustação
Esse primeiro estilo, também referido como incrustação, caracteriza-se pela simulação de mármore e o uso de cores vivas. Era uma cópia daqueles achados em palácios da dinastia greco-egipcia.


Arquitetural
No segundo estilo, as paredes eram decoradas com elementos arquitetônicos. Esta técnica consistia em realçar alguns elementos para passar a sensação de profundidade e tridimensionalidade, utilizando, por exemplo, da representação de colunas ou janelas, falsos elementos arquitetônicos para emoldurar a composição artística.
Ornamental
O terceiro estilo foi o resultado de uma reação. Deixava a cena mais figurativa e colorida, geralmente com um sentido mais ornamental, freqüentemente apresentando grande fineza na execução.
Cenográfico
Finalmente o quarto estilo, chamado cenográfico, incorporando ainda uma abundância de ornamentos. Uma característica típica deste estilo é o uso de figuras destacadas do contexto da cena e inseridas numa arquitetura parecida a um cenário.
ArquiteturaAs características gerais da arquitetura romana são: Busca do útil imediato, senso de realismo; Grandeza material, realçando a idéia de força; Energia e sentimento; Predomínio do caráter sobre a beleza; Originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.
PinturaO Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em geral.O mosaico romano, geralmente utilizado para o revestimento de pavimentos, é feito à base de pequenos cubos de
mármore que se adaptam bem à reprodução cuidada de pinturas, mas de pouca intensidade cromática.
EsculturaOs romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade.Mais realista que idealista, a estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos. Com a invasão dos bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo Estado.

ARTE PALEOCRISTÃ

O termo arte paleocristã, ou paleocristianismo, não designa propriamente um estilo, referindo-se antes a todo o tipo de formas
artisticas produzidas por ou para cristãos.

Catacumbas

Teve início um período de perseguição não só a Jesus, mas também a todos aqueles que aceitaram sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios. Esta perseguição marcou a primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária,, onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus cultos, se revelam as primeiras pinturas murais em catacumbas, locais que serviam de cemitério subterrâneo, único lugar de culto e refúgio cristãos, aos aderentes do cristianismo, para quem a se baseava na esperança da vida eterna após a morte., único lugar de culto e refúgio cristãos. É nesta constante aspiração ao Paraíso que o ritual funerário do enterro, e a consequente manutenção da sepultura, vai ser o elemento chave das primeiras representações da arte cristã. Nesses locais, a pintura é simbólica, como o cacho de uvas, a imagem do Bom-Pastor (que surge na figura de Cristo com o seu rebanho de ovelhas) e o pavão e o peixe, simbolizam a esperança na ressurreição e imortalidade. Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe. Por outro lado, a nova religião é maioritariamente representada pelas classes sociais mais desfavorecidas, sem os apoios financeiros da arte imperial, não é ainda reconhecida oficialmente e é perseguida pela figura do imperador.
Arquitetura
Até à declaração de liberdade de culto, a arte cristã não tinha uma tipologia arquitectónica própria, optando por celebrar o seu culto em lugares pouco relevantes. Os cristãos foram perseguidos por três séculos, até que em 313 d.C. o imperador Constantino legaliza o cristianismo, dando início à 2a fase da arte paleocristã : a fase basilical. Dá-se um impulso na produção artística e são edificados os primeiros lugares de culto próprio. Constantino apoia a construção de
templos próprios, em Roma, Milão, Ravena, de modo a divulgar a nova religião e acolher o crescente número de convertidos.
A basílica
As novas
igrejas, desenvolvidas a partir da basílica romana, vão revelar a base do que será a arquitectura religiosa da europa ocidental ao longo dos séculos. A basílica clássica, um espaço amplo onde se possibilita o agrupamento de um avultado número de pessoas, a nova necessidade arquitetônica do cristianismo este espaço vai-se revelar como o indicado à nova procura de grandiosidade da nova religião e ao acolhimento dos fiéis. A basílica paleocristã compõe-se, então, por uma nave central com clerestório de janelas altas, abertas em paredes assentes em arquivoltas ou em arquitraves, cujas colunas fazem a ligação a outras duas naves laterais (colaterais) de menor altura. Todo o espaço segue um eixo longitudinal e converge a oriente na ábside, onde se situa o altar, e que é emoldurada por um arco triunfal. O exterior, pouco ornamentado, um pátio rodeado de arcadas, que estabelece a sua ligação à igreja.
Mosaico
A necessidade de decorar vastas superfícies vai impulsionar a produção artística do
mosaico, escolhido para o revestimento interno das basílicas, utilizando imagens do Antigo e do Novo Testamento, uma técnica com origens na arte antiga, difundida na Mesopotâmia e com profundas tradições no período greco-romano. Fica em segundo plano a pintura mural a fresco, foi a substituição do mármore por pedaços de vidro colorido.
Este novo material não permite, no entanto, uma paleta complexa de matizes e a modelação das figuras perde o seu contacto com o mundo real, as personagens apresentam-se como seres transcendentais, imateriais, habitantes de um reino de
luz e ouro. Pode-se ainda observar-se pela forte geometrização e pelo ilusionismo espacial, ou o objetivo de sintetizar as formas para que estas sejam compreensíveis à distância, ou seja, para que a mensagem principal possa ser compreendida de longe.
Iluminura
Em oposição à arte pagã, o cristianismo baseia o seu conteúdo nos textos sagrados da bíblia, enfeitando os manuscritos com ilustrações, as
iluminuras, de elevada importância no processo de manutenção e propagação das escrituras. Até então eram usados rolos de papiro que não permitiam grande liberdade artística no que diz respeito à ilustração. O permanente enrolar e desenrolar do papiro causava a deteriorização da tinta criando-se apenas cabeçalhos com formas simples e lineares. Com a introdução do pergaminho, na século II a.C., que se pode dobrar sem partir, surgem os primeiros livros com encadernações ricas em madeira e decoração em metal e pedras preciosas, onde a liberdade formal e cromática não encontra os limites anteriormente estabelecidos pelo suporte.

Escultura

A
escultura assume um papel secundário pela proíbição à idolatria, evitando a representação da figura humana em tamanho natural, orientando-se, por isso, mais no sentido decorativo e de dimensões reduzidas. Podem-se referir, principalmente, trabalhos de relevo em sarcófagos, de carácter simbólico.
O Império Romano do Oriente, com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e atual Istambul) foi totalmente dominado pelos muçulmanos, marcando assim o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna.


ARTE BIZANTINA

O termo arte bizantina refere-se à expressão artística de carácter religioso dos primórdios do cristianismo. Quando a capital do império romano muda-se para Constantinopla a oriente (anterior Bizâncio), levou à cisão do cristianismo em duas grandes vertentes (catolicismo a ocidente e ortodoxia a oriente) e consequentemente à evolução de um estilo artístico diferente no Império Bizantino, a arte bizantina, que sofreu influências de Roma, Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na cor. A arte bizantina está dirigida pela religião; ao clero cabia, além das suas funções, organizar também as artes, tornando os artistas meros executores.O regime era teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais;

História
Por volta do século IV, com a invasão dos povos bárbaros ao longo do Império romano, o imperador Constantino I transfere a capital do império para Bizâncio, antiga cidade grega renomeada mais tarde para Constantinopla. Neste local reúnem-se toda uma série de fatores que impulsionam a ascensão da nova expressão artística. O movimento vive o seu apogeu durante o reinado do Imperador Justiniano I ao qual se sucede um período de crise denominado Iconoclastia e que consiste na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito político entre os imperadores e o clero. A arte bizantina não se extingue, no entanto, quando da queda do Império romano, permanece ainda nas regiões onde floresce a ortodoxia grega.
Pintura
A
arte cristã primitivia evoluiu então para a arte bizantina. O mosaico foi a característica principal do período e suas características de criação influenciaram mais tarde a arte gótica. Os ícones também marcaram esta primeira etapa da arte bizantina. Nos séculos VIII e IX, o mundo bizantino foi dilacerado pela questão iconoclasta, uma controvérsia sobre o uso de pinturas ou entalhes na vida religiosa.
Mosaico
O
mosaico é a expressão máxima da arte bizantina e, não se destinando somente a decorar as paredes e abóbadas, serve também de fonte de instrução e guia espiritual aos fiéis, mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários imperadores. Plasticamente, o mosaico bizantino não se assemelha aos mosaicos romanos; são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem também os afrescos. Neles, por exemplo, as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade; a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é utilizado em abundância, pela sua associação a um dos maiores bens materiais: o ouro.
Arquitetura
A expressão artística do período influenciou também a arquitectura das
igrejas. Elas eram planeadas sobre uma base circular, octogonal ou quadrada rematada por diversas cúpulas, criando-se edifícios de grandes dimensões, espaçosos e profusamente decorados. A Catedral de Santa Sofia é um dos grandes triunfos da técnica bizantina, ela possui uma cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos. Esta técnica permite uma cúpula extremamente elevada a ponto de sugerir, por associação à abóbada celeste, sentimentos de universalidade e poder absoluto. Apresenta pinturas nas paredes, colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e chão de mármore polido.
Escultura
Este gosto pela decoração, aliado à aversão do cristianismo pela representação
escultórica de imagens (por lembrar o paganismo romano), faz diminuir o gosto pela forma e consequentemente o destaque da escultura durante este período. Os poucos exemplos que se encontram são baixos-relevos inseridos na decoração dos monumentos.

UM POUCO MAIS DE SANTA SOFIA

"A verdadeira beleza de Santa Sofia, a maior igreja de Constantinopla, capital do Império Bizantino, encontra-se no seu vasto interior. Um olhar mais atento permite ao visitante ver o trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados; no mármore profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais, folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora.No alto, sobre um solo de mármore, bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos, resplandece a grande cúpula.
Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata, mosaicos e afrescos, há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz - um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior"

ARTE ISLÂMICA

A importância da tradição
islâmica na história da arte é imensa, particularmente, na península ibérica, conseqüentemente, as áreas colonizadas por Espanha e Portugal, sofreram forte influência. Na arquitetura é incontestável a intervenção árabe, um legado que se propagou e influenciou os vários estilos arquitectónicos presentes nestes países. Quando se evoca a expressão "arte islâmica", frequentemente julga-se estar perante uma arte desprovida de representações figuradas, constituída unicamente por motivos geométricos e arabescos. No entanto, existem numerosas representações de figuras animais e humanas na arte islâmica, que surgem sobretudo em contextos não religiosos. As fontes principais da doutrina islâmica são o Alcorão (livro sagrado) e os ditos do Profeta Muhammad. Estas duas fontes nada mencionam sobre a representação de figuras na arte, o que condenam é a idolatria e o culto de imagens.
Quando o profeta Muhammad conquistou
Meca em 630 um dos seus primeiros atos foi destruir os ídolos que se encontravam na Kaaba, uma tradição afirma que Muhammad ordenou a destruição de todas as pinturas religiosas que se achavam naquele edifício, com excepção de uma pintura da Virgem Maria com o menino Jesus, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico do que transcendental. A partir desta época considera-se que o acto de representar um animal ou um ser humano é o assumir por parte do artista do papel de criador que se acredita que deva estar reservado unicamente a Deus. As religiões desempenharam um importante papel no desenvolvimento da arte islâmica. Neste domínio enquadra-se evidentemente a religião muçulmana, mas igualmente outras religiões que os árabes encontraram aquando das conquistas territoriais. Apenas no século XIII o mundo islâmico tornou-se maioritariamente muçulmano, tendo outras religiões legado o seu contributo para a formação da arte islâmica: o cristianismo (na região que se estende do Egipto à Turquia), o zoroastrismo (mundo iraniano), o hinduísmo e o budismo (na Índia) e o animismo no Magrebe. Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no início, como exclusividade das classes altas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação.

Arquitetura
A
arquitectura manifesta-se de diversas formas no mundo islâmico: mesquitas, madrasas (escolas religiosas), edifícios que funcionam como locais de retiro espiritual (como por exemplo, as arrábitas) e túmulos são alguns dos edifícios característicos dos países de tradição islâmica. Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração. Outras construções representativas foram os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos e mártires.
A tipologia dos edifícios apresenta variações de acordo com as regiões e os períodos históricos. No coração do mundo árabe, o que corresponde ao Egipto, Síria e Iraque, no período anterior ao
século XIII, as mesquitas seguem todas a mesma planta, com um pátio e uma sala hispotila para as orações, mas variam bastante no que diz respeito à decoração e às formas. No Irão encontram-se especificidades próprias, como o emprego do tijolo e o uso de formas particulares como os iwans e o arco persa. Na Península Ibérica foi patente o gosto por uma arquitectura colorida, com o emprego de vários tipos de arcos (em ferradura, polilobados...). Na atual Turquia, a influência da civilização bizantina revela-se na construção de grandes mesquitas com grandes cúpulas, enquanto que na Índia desenvolvem-se plantas próprias, que se afastam cada vez mais do modelo iraniano e colocam em relevância as famosas cúpulas bolbosas. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão importante quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo controlava sua realização.
A arte do livro
A arte do livro é talvez a forma mais conhecida de expressão da arte islâmica. Ela agrega simultaneamente:
a
pintura;
a
encadernação;
a
caligrafia;
a
iluminura e a miniatura;
A arte do livro é geralmente dividida em três domínios: árabe (manuscritos sírios, egípcios, magrebinos), persas (manuscritos criados no Irão), e indiano (manuscritos mogóis). Cada um destes grupos possui o seu próprio estilo, divisível por várias escolas, com os seus próprios artistas e convenções.

TapetesOs tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmicas. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o muçulmano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra.
Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 000 nós por metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40 000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os desenhos mais clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os geométricos, de decoração.
PinturaAs obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas. Das primeiras, muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era influenciado pela arte indiana, a bizantina e inclusive a chinesa. A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações de divulgação científica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No início, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco. Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das cúpulas.