Relação interpessoal, algo que, por natureza, já é essencialmente complicado. Acredito que a convivência com as pessoas pode render os mais belos frutos do ápice da felicidade e, ao mesmo tempo, dos desgostos e decepções mais profundas. São os extremos, os dois lados da mesma moeda...
Por outro lado, também creio que é possível o equilíbrio e a harmonia com base numa postura correta de cada indivíduo. Muitos conflitos e brigas nada mais são do que produtos de falhas e lacunas das próprias pessoas envolvidas. Distúrbios, carências e traumas fazem com que um ser queira buscar em outro a pessoa que este não pode ser, a cura que não pode dar-lhe. A exigência ao extremo, a própria conduta imatura e o desconhecimento de si mesmo e de suas reais necessidades são causas comuns da destruição de um relacionamento, seja entre cônjuges, pais e filhos, irmãos ou amigos.
É engraçado e raro contemplar a convivência consonante como a mais harmoniosa melodia de um encadeamento perfeito de acordes... É sabido, de praxe, que trabalhar para comer não é o que há de mais belo na vida. Suprir necessidades naturais (trabalho, moradia, saúde, etc) são obrigações natas, mas o amor, o mais verdadeiro e sincero sentimento, é o que move todos nós, o que confere sentido a toda existência. Vazia, pois, é uma vida contínua de prazeres efêmeros se não existir o amor de uma mãe, a preocupação e a bronca de um pai, a cumplicidade e o ombro de um amigo, o carinho de um parceiro... O homem é um animal social que, portanto, precisa viver em comunidade, precisa sentir-se necessário, amado, integrado. Ninguém é feliz sozinho. Como no trecho intertextualizado entre Bíblia e a música de Renato Russo: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria”. É só o amor!
Amantes da racionalidade podem tentar sistematizar demais e afastar-se das essências. Nietzsche disse uma vez que o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são. Pensamentos desse gênero, como chavões “o amor é cego” contribuem para criar abismos entre o amor e a racionalidade. Em contraste, lembro da letra do Charlie Brown Jr. “Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão. Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião”. É claro que a demasiada paixão, doentia, compulsiva ou ilusória pode conduzir às atitudes infantis ou até mesmo violentas. Porém, na estabilidade de um amor verdadeiro, a tendência será de apenas resultados bons e agradáveis. Num dia desses li em um papelzinho do Serenata de Amor “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção”. Dessa forma, caminhar, construir e unir forças são os fins mais nobres de companheiros. “Não é o perfeito, mas o imperfeito, que precisa de amor.” Como ninguém é dono da perfeição, todos estão propensos a completar-se. Coração e razão podem sim andar juntos e não é preciso ser louco pra acreditar nisso, apenas provar o deleite de um puro e sincero sentimento.
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